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A verdade sobre ter um terceiro filho

Quando temos o primeiro filho, sentimo-nos o centro do universo: nunca ninguém teve um bebé antes, e este é o evento mais importante na história do mundo.

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Somos capazes de dormir uma sesta todas as tardes e passeamos orgulhosas de mão na barriga à espera do grande dia! Sentimo-nos calmas e estamos sempre a rir. Adoramos as más disposições de grávida porque é sinal de que o bebé está a crescer. Fazemos uma alimentação saudável, de preferência com produtos biológicos, tomamos as vitaminas todas e não bebemos álcool. Estamos informadas e avisadas. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras de partos complicados. O nosso Obstreta fala connosco e seguimos os seus conselhos religiosamente.

As pessoas desdobram-se para ajudar nas compras, dão-nos as roupas dos seus filhos que já não vão usar. E ficam, realmente, entusiasmadas com a tua gravidez. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que Sim recebemos um grande e caloroso sorriso de boas vindas a este mundo novo da maternidade. Dizem-nos que vai ser a melhor coisa que já nos aconteceu na vida. E nós acreditamos.

Devoramos toda a literatura da especialidade, assinamos a “Pais e Filhos” e outras revistas on line. Montamos o quarto do bebé, planeamos como vai ficar, pintamos ou colocamos papel nas paredes. Passamos horas a investigar qual a melhor espreguiçadeira baloiço, o melhor sling e os melhores arneses. Protegemos todas as tomadas e esquinas da casa, mudamos os detergentes para um armário mais alto e que, para abrir a porta, é necessário inserir um código de 8 dígitos.

Cortamos cuidadosamente as etiquetas da roupa do bebé, e lavamos tudo duas vezes com um detergente super-XPTO orgânico, amigo do ambiente, e especial para a pele dos bebés. O meu filho não vai usar chucha, não vai chupar no dedo, vai mamar para sempre. Vou virá-lo todas as noites para não ficar com a cabeça achatada. Não vai assistir televisão até aos 8 anos, nunca vai ter telemóvel, nem piercings, e nunca vou deixar entrar brinquedos ou roupa dos desenhos da televisão em minha casa, como o Ruca ou a Dora.

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Quando engravidamos do segundo filho, o mais velho é o centro do universo. Já nos esquecemos de todas as coisas de bebé, e só podemos gozar a gravidez à noite, quando o primogénito está a dormir. Nunca mais dormimos durante o dia, porque o mais velho já deixou a sesta. Quando entramos no 2ª trimestre de gravidez parece que estamos grávidas de 6 meses. Sentimo-nos stressadas e gritamos muito. Adoramos as más disposições de grávida porque são um bom motivo para descansarmos um bocadinho. Comemos os restos do prato do primeiro filho, tentamos não beber álcool, e às vezes, lembramo-nos de tomar as vitaminas.

Ficamos saturadas com a informação e os conselhos. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos que fazem mal aos bebés. Esquecemo-nos de metade dos conselhos do nosso Obstetra.

Os amigos que já não querem ter mais filhos começam a “despejar”, em nossa casa, as coisas  de que já não precisam. Quer precisemos ou não. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos, “É o primeiro?” Quando dizemos que Não, afastam-se com um ar desapontado…

Vamos buscar a literatura da especialidade, mas arrastamo-la por semanas sem sequer conseguir dar-lhe uma vista de olhos. Recomeçamos a ler a Pais e Filhos, mas agora interessamo-nos por outros tópicos, tais como facilitar a adaptação do irmão ao bebé que vai nascer. “Expulsamos” o mais velho da cama de grades, sem cerimónia, e dizemos-lhe que agora é um crescido e, por isso, vai dormir numa cama de crescidos. Fazemos a “reciclagem” dos brinquedos de bebé para perceber os que ainda dão para aproveitar, lavamos os lençóis do berço, compramos uns autocolantes de parede e um par de fraldas de recém-nascidos. Está feito o quarto do bebé. Olhamos para as espreguiçadeiras-baloiço, os slings e arneses, e questionamo-nos se vale a pena tirar aquilo da garagem. O nosso filho mais velho já retirou todas as protecções das tomadas da casa e continua vivo, por isso não as repomos. Os detergentes estão debaixo do lavatório com um fecho anti-crianças.

Lavamos as roupas de bebé com detergente normal. Compramos um conjunto de bodies e deixamos perto do berço. De certeza que vai dar jeito. Eles só vão assistir à TV quando estivermos muito cansadas, resmungonas, ou a fazer o jantar. Eles só vão ter uma consola quando tiverem 3 anos. Nunca vão ter piercings. O Ruca e a Dora já fazem parte la de casa.

Já esquecemos tudo sobre planos de nascimento, e estamos ansiosas por aqueles 3 dias no hospital para fugir ao caos de nossa casa. Vai saber bem o descanso. Carregamos o telemóvel e verificamos se a net funciona, pois pretendemos ficar toda a estadia no Facebook. Não vamos preocupadas com o parto, mas questionamo-nos quanto à amamentação. Levamos protectores de silicone e cremes para o peito. Pelos sim pelo não levamos a bomba e dois biberãos. Só por causa das tosses.

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Quando engravidamos do terceiro filho, o mais velho, em idade pré-escolar, e o segundo, até agora o mais novo, acham-se o centro do universo. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são graças ao apetite enorme que temos tido. Parecemos umas mortas-vivas, e aprendemos a dormir as sestas de olhos abertos durante as aulas de natação ou de ballet. Parece que estamos grávidas de 6 meses assim que acabamos de conceber. Só não estamos stressadas quando estamos a dormir. E, quando estamos a dormir, ressonamos.

Andamos com sacos de vómito na mala para sobreviver às más disposições da gravidez, e deitamo-los fora com as fraldas descartáveis. A nossa refeição principal é o almoço. Todas as outras são a correr ou não existem. Se os nossos filhos não comem salada nem vegetais, porque é que nós havemos de comer? Nem sequer tentamos deixar de beber álcool, até insistimos num copo de vinho, mas sabe pessimamente, e enfrascamo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas, e esquecemo-nos de as tomar durante toda a gravidez. Redefinimos a palavra “eternidade” baseadas nas constantes perguntas do filho mais velho sobre se “é hoje que o bebé nasce?”

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés. Todos pensam que somos loucas ou irresponsáveis. E assumem que foi um acidente. Olham-nos de soslaio no supermercado quando nos vêem com dois miúdos, mais um a caminho, 2 cachos de bananas e vários iogurtes. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos do meio que acabaram por se tornar psicopatas. Ou políticos. Vemos o Obstetra no dia do parto.

As amigas que já não vão ter mais filhos, já perderam peso, estão giras, com um ar descansado e relaxado. Podem sair à noite e ter vida social. Não sentem nada mais do que pena por nós.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o terceiro, riem-se à gargalha e vão-se embora.

Já não  temos nenhuma literatura de especialidade como tínhamos, e já não há dinheiro para pagar assinaturas. Folheamos diversas revistas  à espera de nos inspirarmos sobre o nome da criança. Tiramos o segundo filho da cama de grades num ápice, e treinamo-lo a largar as fraldas ainda antes de nascer o bebé. Se tudo correr mal, vamos a rapidamente comprar outra cama de grades.

Vamos desencantar fraldas de recém-nascido que tinham sobrado dos outros, e pomos junto ao berço. Está feito o quarto do bebé.

Olhamos para o enxoval do bebé, que já passou pelos irmãos, e embora coçadinho, vai ter de dar.  Instalamos uma TV no quarto dos miúdos. Nunca vão ter piercings antes dos 16 anos. A Dora e o Ruca estão por todo o lado….

O bebé nasce. E há-de ir para o infantário.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos olhar para o nosso marido e ficar eternamente gratas por estes três maravilhosos filhos que ele nos deu, e desculpá-lo por (quase) tudo o resto. A nossa vida é agitada, confusa e barulhenta, alguns  gritos, frustrações e muito amor. Teremos muitos daqueles momentos de cortar a respiração, aquelas experiências únicas, aqueles dias fantásticos que fazem com que nunca nos venhamos  a arrepender das escolhas que fizemos.

traduzido e adaptado por
Up To Lisbon Kids,

artigo original de Shannon Meyerkort
@Scay Mommy

 

19 pensamentos em “A verdade sobre ter um terceiro filho”

  1. É mesmo verdade, verdadinha. Tive 3 filhos com pequenas diferenças de idade e estava a ver este “filme” que acabei de ler. No entanto, fiquei com pena de não ter tido mais um. A partir do 3º filho a rotina torna-se mais dinâmica e mais um ou dois não teria feito diferença. Financeiramente? Talvez mas com boa vontade tudo se arranja. Parabéns por este artigo – está muito real e é um bom apoio para as Mães e Pais que têm mais do que um filho. Afinal não somos assim tão diferentes!!!

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    1. Eu tenho 4, quatro belos rapazes com pouca diferença de idades entre eles. Não me arrependo nunca de tudo o que passei durante as várias gravidezes. Ainda hoje , o meu filho mais velho , afirma que não se importava de ter tido mais irmãos. Somos felizes.

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    2. Este artigo é engraçado porque revejo-me na maioria das situações.Em 5 anos tive 3 filhas e ao longo do tempo tudo é mais relaxado, por isso, embora educadas pelos mesmos pais, a sua educação não poderia ter sido mais diferente.Tenho pena de não ter tido mais filhos mas financeiramente não podia.

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  2. Tenho dois filhos, e pensando no terceiro…identifico-me completamente! Penso talvez esteja um tanto ou quanto exagerado, mas os comentários que recebemos como mães de mais que uma criança são chocantes! Somos olhadas como loucas, apontadas como irresponsáveis quando na verdade estamos a fazer algo de que a sociedade tanto precisa. Estamos a por crianças neste mundo e a criá-las com muito amor para serem as melhores pessoas que poderão ser, estamos a criar a população do amanhã num mundo em que há milhares de pessoas que não querem ter filhos!!!

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    1. Olá Violeta, eu tenho 3, e quando engravidei do terceiro todas as pessoas assumiam que foi sem querer, até porque já tinha um casal. Perguntavam-nos se não tínhamos televisão em casa, ou se nos tinha saído o euromilhões…. não é de todo exagerado, as pessoas são assim.

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      1. Não me devo ter expressado bem, o que quiz dizer é que existem uns ou outros exageros no texto á excepção das respostas do mundo ao nosso redor. É de facto chocante como somos olhadas como mães de 2 filhos ou mais…

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  3. Olá
    É mesmo isto. MARAVILHOSO. Tenho 2 filhas e um filho. É incrivel o amor que nós temos para dar. Agora já não (tenho 56 anos) mas durante muito tempo todos me pediam mais irmãos, e teria sido tb muito bom.

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  4. Eu tenho duas princesas maravilhosas, uma no auge da adolescência (15 anos) e uma pequenina (3) que todos os dias faz questão de mostrar à irmã o quanto gosta dela:-) financeiramente não me posso dar ao luxo de ter mais mas adorava ter pelo menos mais 2, o meu marido diz que sou doida mas sinto que seria ainda mais feliz….

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  5. Adorei os comentários. Parabéns às mães coragem. Eu tenho dois filhos que adoro, mas para mim mais crianças estava fora de questão. Gosto muito do meu espaço. Parabéns a quem sente diferente de mim.

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  6. Tenho 4 filhos maravilhosos e embora toda a gente olhe para nós com um misto de admiração/ loucura, a única coisa que faria diferente era ter sido mãe mais cedo, para ( agora tenho de falar baixinho para ninguém ouvir :) ) poder ainda voltar a ser mãe! Difícil é, mas é um milagre e uma benção multiplicada por 4!

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  7. A partilha é fantástica, mas ainda me faz pena que os maridos pareçam surgir como acessórios (“gratas pelos filhos que nos deu e desculpar quase tudo o resto”). Está na hora das mães se aperceberem da sua sobrecarga injustificada e que se ambos trabalham fora de casa têm mais é que partilhar com igualdade as tarefas existentes por terem filhos.

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  8. Tenho 3 filhos e identifiquei-me em muito, sem dúvida :) se voltasse a ter 18 anos e pudesse voltar ao passado… era a única coisa que não mudaria. Ter os meus 3 maravilhosos filhos, mesmo com todas as dificuldades que passamos e com a sobrecarga já mencionada, foi e é a parte melhor da minha vida!!!

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  9. Isso chama se viver! Nós mulheres temos um dom de ser mãe e ser mãe não é só viver de coisas boas pois as coisas ruins também fazem parte da nossa vida e é com os nossos erros e acertos é que vamos educar os nossos filhos seja 1 seja 2 seja 3 ou mais… não há nada de mais em ter o 3°filho.
    Quem está curtindo uma terceira gravidez não deixe que está mensagem triste e mesquinha entre em seu coração culpando um terceiro filho de seus problemas ou frustrações mau resolvidas, lembre se um criança é sempre uma bênção que Deus nos da. Bjnhos a todas as mamãe de M maiusculo que lutam pelos seus filhos seja quantos for…

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