ViSITA “Chalet da Condessa D’Edla”

Todos os Dias excepto feriados 25 Dezembro e 1 Janeiro ●  9h30 às 20h00 (último bilhete às 19h00) ● 9.5€ /Adulto(18-64anos) |  7.5€/Jovem (6-17 anos) | GRATUITO/Crianças até 6 anos | Família 31 € ● Domingos até às 13h00 os munícipes do Concelho de Sintra estão isentos de pagamento de entrada nos parques e monumentos sob gestão da Parques de Sintra. * (ver condições de entrada no fim)

 

“Hoje o dia começou quase ao estalo, todos gritavam e ninguém tinha razão. Já estava num desespero, resolvi tirar tudo de casa, sem rumo, mas com a ideia de qualquer coisa que os distraísse.

Parámos o carro e agarrei no telefone para procurar sitios giros aqui perto.

-Vamos ao Chalet da Condessa D’Edla!

-Que seca Mãe!

-Não é nada! É muito giro, vocês vão gostar! Esta cheio de histórias lindas sobre pessoas que ali viveram.

A decisão estava tomada, não esperei opiniões, até porque eles queriam era fazer coisas que envolvessem muito mais dinheiro e distância.

Há uns tempos atrás vi uma reportagem qualquer que falava
deste chalet em Sintra, recentemente recuperado de um incêndio de origem criminosa em 1999. Fica dentro dos magníficos jardins do palácio da Pena.

A história é linda e eu… apaixonei-me por D. Fernando.

Foi casado com D. Maria II, algo que começou por conveniência mas que num instante se transformou numa união de amor. Um rei que fez questão de dar aos filhos uma educação baseada na harmonia familiar e onde o amor às artes e à natureza eram considerados algo de extrema importância.

Tinha uma enorme paixão por Sintra, talvez por ser um amante das artes, como tantos outros que aqui se inspiraram .

Com a morte precoce da sua querida rainha, D. Fernando escreve sobre isso a uns familiares e demonstra bem o seu profundo desgosto:

“Caro Ernesto, a ti como chefe da nossa casa e como meu velho e fiel amigo tenho de dizer também algumas palavras na hora em que o destino me sobreveio tão duramente. Tem pena de mim e chora comigo. Perdi ontem a magnífica, nobre e tão valente rainha. (…) pensei que não poderia sobreviver a este momento, porque ela era tudo para mim e tornou a minha vida serena e sorridente”

Foram dezoito anos de um casamento raro nas casas reais – FELIZ!

Aos poucos começou a reagir, afinal tinha vários filhos para criar e o amor que nutria por eles e pela música sobrepôs-se a tamanha tristeza.

Cantava magnificamente e convidava vários cantores reconhecidos, para virem cantar a Portugal. Foi num desses convites que conheceu e se apaixonou por Elise Hensler, uma cantora que encantou de novo o seu coração há muito viúvo.

Três filhos morrem de febre tifóide e duas das filhas vão viver com os maridos para o estrangeiro. D. Fernando que era um homem de família, ficou de rastos e sentia-se só.

Foi contra tudo e contra todos que no dia 10 de Junho de 1869, passou a segundas núpcias com a Condessa d’Edla. Preferia legalizar a situação do que continuar a viver em concubinato, algo que não o agradava. Tiveram poucas pessoas na cerimónia, cerca de seis atenderam ao copo de água, eram muito poucos os que concordavam com aquele enlace.

No dia a seguir ao casamento, o casal, plantou um eucalipto perto do romântico Chalet em estilo Alpino, desenhado pela própria condessa para umas escapadelas do casal que apreciava aquela tranquilidade. Uma parte deste eucalipto pode ainda hoje ser encontrado nos jardins, já sem vida. Pouco antes de morrer, a condessa pede que marquem o eucalipto para que seja reconhecido como a árvore plantada pelo casal. Perguntem por ele quando lá forem.

É engraçado que de todos os filhos, só o infante D. Augusto, filho mais novo de D. Fernando criou laços com a madrasta a quem chamava “minha querida Mãe”.

Diz-se que foi D. Fernando que começou o processo de arborização da Pena, mas a Condessa também teve grande mão nessa construção, trazendo várias espécies exóticas do continente americano.

Apesar de tudo aquilo que passaram para poderem estar juntos, da diferença de vinte anos que os separava e de todas as desconsiderações, mantiveram-se unidos e até ao final da sua vida, a Condessa soube honrar a memória do seu amado e D. Fernando amou-a até morrer!

Eu sei que o texto vai longo, mas eu faço questão de contar esta história para vos incentivar a uma visita em família, para que sintam a magia daquele sitio onde outrora um rei amou de verdade!

Estou impressionada com a energia maravilhosa daquele chalet que emana romance, paixão e, apesar de tudo, muita tranquilidade…

Tivemos a sorte de nos calhar um motorista/guia, num daqueles carrinhos de golf em formato autocarro que nos contou grande parte desta história, de sorriso na cara e com a paciência de quem nunca antes a contara. MARAVILHOSO! Obrigada Sr. Rafael!

Sabia quase toda esta história até à D. Maria II … o resto, acho que muitos tentaram que não aparecesse na história. Fico feliz por hoje a ter conhecido completa!

Os miúdos adoraram e no fim, além de agradecerem, ainda fomos a falar sobre estas personagens que entraram no nosso imaginário de uma forma tão real.

Também ficámos a saber sobre a fidelidade dos cisnes que, durante a sua vida escolhem só um/a companheiro/a e quando um deles morre, o outro, acaba também por morrer (não fazia ideia e lembrei-me do “Amar-te-ei no Douro”).

O meu filho disse prontamente ao Sr.Rafael: “Se os cisnes, que são animais, conseguem, nós também temos de conseguir!” …LINDO!”

Por Inês de Santar (a romântica)

 Inês de Santar
é a segunda de seis irmãos. Em 2009 começou a escrever o seu primeiro romance e, em 2012, revela publicamente o seu gosto pela escrita, com a abertura da página Inês de Santar.Aceitei o convite da Up To Lisbon Kids no qual irei partilhar histórias, desabafos, opiniões e crónicas relacionadas com a educação e a vivência das famílias e afins.

* Aos Domingos até às 13h00 os munícipes do Concelho de Sintra estão isentos de pagamento de entrada nos parques e monumentos sob gestão da Parques de Sintra. Para usufruir desse direito, devem ser apresentados documentos oficiais que comprovem a residência como, por exemplo, Cartão do Cidadão (requer o PIN), Bilhete de Identidade, Carta de Condução, Cartão de Contribuinte ou Cartão de Eleitor. No caso de apresentação de uma fatura de eletricidade, água, gás, entre outras, esta tem que ser acompanhada de documento identificativo para verificação do nome do titular da fatura.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Gravatar
WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s