Quando as emoções dos nossos filhos movem o nosso mundo

Ser pai é uma tarefa árdua.

Os nossos filhos, especialmente os mais pequenos, têm vários momentos em que nos tiram do sério.

Seja tolerante consigo, mas quando se sentir tranquilo e livre de stress, aproveite para “treinar” as emoções do seu filho. Futuramente, haverá menos explosões de emoções e o seu filho tornar-se-á mais competente em diferentes áreas.

Vejamos o que poderá fazer para ser um “Treinador” de Emoções:

1º Reconhecer Emoções – isto de reconhecer emoções pode ser difícil, no entanto, é essencial que consiga reconhecer as suas e as do seu filho, quer sejam estas mais ou menos intensas.

2º Oportunidade de Intimidade e de Aprendizagem – depois de reconhecer as emoções temos a porta aberta para a aprendizagem dos miúdos e ainda, para ficarmos mais próximos deles.

3º Empatizar e Validar a Emoção – o seu filho precisa de se sentir compreendido e orientado por si, visto isso, terá apenas de mostrar que percebe o que ele está a sentir e respeitar a emoção presente.

4º Ajudar a dar nomes às Emoções – como o seu filho ainda é pequeno, é absolutamente natural que ainda tenha dificuldade em saber o que está a sentir, sendo assim, precisa de si para aprender o nome da emoção, para que seja possível, posteriormente, compreender e dar sentido a estas emoções.

Eis as sete emoções fundamentais – alegria, surpresa, medo, tristeza, raiva, nojo e desprezo

5º Manter os Limites e ajudar na Resolução de Problemas – finalmente, é preciso que o seu filho saiba quem é o pai, e que apesar de o compreender e de o ajudar a lidar com as emoções, é você quem manda e tem a última palavra. Você está a ajudar o seu filho a lidar com o que sente, o que não implica que lhe fará as vontades. Para além disso, poderá sugerir formas de resolver o problema, ou formas de lidar com a frustração que ele possa estar a sentir num dado momento.

Para que possa compreender melhor deixo uma situação exemplo:

O Henrique tem 8 anos e faz birra quando o irmão mais novo lhe tira o brinquedo com que estava a brincar.

Resposta mais frequente de um pai à “Dá o brinquedo ao teu irmão e pára de chorar. Agora é a vez dele brincar

O que nós sugerimos “Eu sei que estás com raiva porque o teu irmão te tirou o brinquedo. Sei que gostas muito de brincar com ele, mas agora quero que o emprestes ao teu irmão porque é a vez de ele brincar”

Em suma, o que se pretende é que você possa ser o treinador das emoções do seu filho, dando-lhes a possibilidade de aprender a dar nomes as emoções e a lidar com elas. Com o treino o seu filho será capaz de enfrentar as dificuldades e problemas da vida de forma eficaz e criativa porque com esta abordagem ele aprenderá que as emoções não são perigosas, que o seu pai é capaz de aceitar as emoções mais difíceis e que está presente para o ajudar a lidar com elas.

Com o tempo, o seu filho tornar-se-á mai calmo e fará menos birras, uma vez que o ensinou a lidar com as emoções que tem dentro dele. Finalmente, futuramente, o seu filho será também mais capaz em todas as adversidades que possam surgir, sendo por isso uma criança mais saudável (ex: terá melhores notas e não irá desistir se tirar uma negativa num teste; saberá resolver problemas com amigos ou colegas; será um adolescente capaz de tomar decisões mais acertadas).

Sei que pode parecer difícil, e que por vezes as emoções são assustadoras até para os adultos, no entanto, são elas que abrem espaço a uma oportunidade de crescimento, tanto sua, como do seu filho. Terá apenas de relaxar, aceitar e abraçar a oportunidade de ser o treinador de emoções do seu filho.

Divirta-se!

Por Catarina Pires – Associação Casa Estrela-do-mar,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados®

[email protected] Bloomfield

 

  Associação Casa Estrela do Mar
  A Casa Estrela do Mar é um centro terapêutico multi-sistémico para  os adolescentes e famílias, que propõe um intervenção baseada numa  abordagem inovadora. Acreditamos que a mudança se deve verificar  em todos os sistemas que fazem parte da vida da pessoa e, assim,  propomos intervenções que integram a psicoterapia individual, conjugal e familiar; a intervenção pela arte e teatro, e ainda um conjunto de actividades familiares e formação\supervisão para técnicos.

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